Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010

Um novo consumidor?

Comprar é escolher. Escolher dentre uma esmagadora variedade de produtos. Escolher remunerar as empresas que os produzem. Escolher dar força a um processo económico do qual fazemos parte. Reside aqui o nosso grande poder. Ou a nossa grande passividade. Se o consumidor é confrontado com estímulos poderosos, do marketing à inovação tecnológica e até à auto-promovida preocupação dos fabricantes com a qualidade e as responsabilidades sociais, precisamos exercer o nosso poder de consumir.

Mas quem é este consumidor responsável, que faz um consumo mais consciente?

Qual o perfil deste cidadão, sintonizado com o mundo em que vive e empenhado em ser parte activa? Não é com certeza um Super-Homem ou uma Super-Mulher, com energia, activismo e visão

ilimitados. Para fazer um consumo responsável não é preciso ter superpoderes nem ser perfeito: o que é mesmo preciso é sermos humanos.

Humanos, capazes de nos entusiasmarmos por boas ideias e investirmos energia a colocá-las em prática. Humanos, capazes de empatia com os outros seres e com a natureza, procurando viver em harmonia.

Humanos, para nos empenharmos todos nesta tarefa diária, atenta e infindável - precisamos de todos os consumidores, não de um super-herói.

Vivemos no mesmo planeta e temos de pensar a globalização como um trunfo, utilizando-a a nosso favor. “Nesta globalização positiva, o consumidor pretende ver melhorar os preços na produção, manter a diversidade das unidades de produção, assegurar um patamar de Estado-Providência e consolidar modos de consumo alternativos e consensualmente aceites. A conexão entre o consumo responsável e a globalização positiva assenta nas seguintes premissas: devem preferir - se

investimentos que dignifiquem os trabalhadores, não se deve tratar  o trabalho como um custo e quando o investidor se escusa a respeitar a dignidade da mão-de-obra deverá ser denunciado pelo respectivo atentado social e ambiental” (Beja Santos 2005). Se por um lado a globalização acentuou a interdependência e as relações sociais mundiais, sublinhando as assimetrias sociais entre os países mais ricos e mais pobres, com os governos nacionais a perderem o poder político face à economia e às empresas transnacionais - na realidade, são os cidadãos que têm de ser o contra poder desta situação. Como afirma Eveline Herfkens, a responsável pela maior campanha internacional de sempre para promover o desenvolvimento dos povos, a Campanha pelos Objectivos de Desenvolvimento  do Milénio da ONU, “não haverá desenvolvimento nos países onde os cidadãos não participam nas decisões que afectam as suas próprias vidas. Portanto o que tentamos

fazer é dar poder ao cidadão para fiscalizar o seu governo e instituições.”

É aqui que temos de fincar os dois pés: felizmente a globalização está também a promover a solidariedade e a compreensão crítica, no sentido de uma maior abertura e reflexão sobre o que nos rodeia - já não somos (completamente) pré-determinados pela tradição e papel social, podemos

decidir o curso das nossas vidas e do mundo em que vivemos. É possível e urgente criar alternativas: fazer com que as regras do comércio internacional defendam os direitos humanos, os direitos laborais e o meio ambiente, é um dos principais desafios do século XXI.

Está ao alcance de todos nós, consumidores.

Extraído de CONSUMO RESPONSÁVEL

QUESTÕES, DESAFIOS E GUIA PRÁTICO

PARA UM FUTURO SUSTENTÁVEL

cadernos de

comércio justo

nº 01

publicado por esas às 21:12
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